Em um Big Brother que muitos afirmam ser o “BBB das Mulheres”, impossível ignorar uma grande personagem: A inteligente, articulada e despojada Diana.
Confesso que, no início, foi um dos participantes que me despertou interesse. Mas não foi pelo seu estilo, sua orientação sexual, ou beleza: para mim, Diana parecia um surto de sanidade no meio de um grupo que se esmurrava, disputando os holofotes.
Diana não parecia se importar em ser protagonista ou coadjuvante. Ela era apenas ela, e vivia na dela, com seu humor inteligente e sua marcante aparência, que fazia dela uma das promessas dessa edição. Pra falar a verdade, nem seus primeiros momentos de feminismo me incomodavam: pelo contrário, soavam como uma espécie de charme.
Assim foi quando ela beijou a Michelly numa brincadeira em alguma festa. Também parecia interessante ver seu relacionamento com Natália desabrochar. E, até seus momentos de heterossexualidade, em suas insinuações para Cristiano, despertavam curiosidade.
Só que tudo em excesso é prejudicial. E até irrita. Assim como Natália, Diana parece ser muito bem articulada e convincente quando fala de si, ou quando fala sobre o jogo, ou temas óbvios, como “paz e amor”. Para arrancar aplausos do público, Diana é capaz de enfeitar uma frase pronta e entoá-la, como se fosse o fragmento de um importante manifesto.
Mas, vamos lá... Diana parece ter entrado no BBB carregando uma bandeira, ou talvez um fardo. E isso pareceu claro, quando ela foi ao 1º paredão: choro desconsolado, medo, e receio do que as pessoas preconceituosas iriam decidir. Na verdade, Diana quer representar a “verdadeira mulher” que, pra ela, não é nada delicada, não é nada frágil, não é nada hétero. Quer arrastar para sua torcida a comunidade LGBTXYZ, as mulheres liberais, as pessoas “moderninhas”, e até as pessoas pseudo-esclarecidas.
Enquanto o relacionamento amoroso entre dois homens ainda é visto como algo chocante demais pra ser mostrado na TV, há quem aposte que o namoro entre duas meninas não seja tão estapafúrdio, assim. Sendo assim, os homossexuais masculinos entram no BBB com a obrigação de “soltar a franga”, enquanto as lésbicas (ou bi) são como garantias de cenas picantes para a atração. Ou seja... O homossexualismo continua sendo confundido com promiscuidade e, infelizmente, muitos homossexuais compactuam com essa ideia. Pronto, falei.
E foi justamente o fato de Diana estar disposta a ficar com alguma mulher durante o programa que carimbou seu passaporte para esta edição do BBB. Ela já entrou no programa com esse rótulo: bissexual, mas que prefere mulheres. Em um BBB tão liberal, onde, além de Diana, Paulinha e Natália já sugeriram uma possível atração por mulheres, isso poderia ser um bom tema.
Por isso, minhas exclamações se transformaram em interrogações. Certo dia, ela deu a entender que não ficaria com nenhuma mulher no programa, após ser indagada por Paulinha. Mesmo assim, continuou levando a sério a brincadeira revisitada de “salada mista” (agora, o famoso “doce de leite”), mas não parece interessada em se relacionar com nenhuma mulher, nem nenhum homem: está ali apenas para sugerir isso.
No final, parecem atitudes adolescentes de alguém preocupada em passar alguma imagem: a famosa “poser”. Com o intuito de parecer exageradamente “desencanada”, ela vive grande parte do tempo se revezando entre discursos sexistas e insinuações de namoricos da casa.
E essa postura não acrescenta nada ao jogo. Ela é capaz de proteger qualquer mulher da casa, por conta de sua ideologia. Além do mais, insiste em exaltar uma falsa união entre as mulheres, com o discurso de que “as mulheres vão dominar o mundo” (coisas que eu ouvia no ginásio).
Numa dessas insinuações estilo “Mariquinha e Maricota”, Lucival e Diana colocaram pilha na desmiolada Maria, e a fizeram acreditar que Maurício estaria interessado em Adriana. Como toda fofoca que se preze, essa insinuação se transformou em telefone sem fio, até chegar aos ouvidos de Adriana, que tomou satisfações com a dupla. Pra falar a verdade, a novata pediu, em outras palavras, para eles cuidarem da vida deles, o que parece um pedido coerente. Porém, muita gente aqui fora não viu assim.
Bial até se manifestou afirmando que tudo isso é normal, e que Adriana deveria relevar. O que é estranho, pois o Bial sempre está disposto a colocar lenha na fogueira, e não paninhos quentes. Mas, apesar dos problemas oriundos da convivência, os fuxicos servem como sementes de maldade, e ocasionam conflitos nada saudáveis, e completamente estúpidos, desses que não servem pra nada.
Não vou discutir a imaturidade de ninguém, mas não era de hoje que eu estava de saco cheio dessa babaquice de “quem pega quem”. As mesmas pessoas que jogaram Maria no colo de Wesley, ficaram encolhidos pelos cantos, como se nada tivesse acontecido. Há um vestígio de maldade nisso?
E o resultado da acareação foi óbvio: Diana declarou guerra à Adriana, e Lucival optou pelo habitual sarcasmo, pelo natural cinismo, e pela espontânea covardia. Praticamente, se esquivou, deixando Diana com os méritos. No Big Fone da Madrugada, Adriana mandou Diana direto ao paredão e, mesmo demonstrando pretensão em fazer o mesmo com a moça, Diana insistiu em usar palavras inteligentes em discursos estúpidos, dada sua frustração diante de mais um paredão. Bem feito.
Soa pretensão, uma arrogância burra e sem fundamento. Detesto rótulos, e também detesto quem os defende. Os rótulos dão margem ao preconceito. Machismo, racismo, homofobia... Os preconceitos perderiam força sem os rótulos. Cada um sabe de si, mas o respeito é fundamental.
Diana entrou pra representar A ou B. Entrou pra levantar uma bandeira que nem ela mesmo consegue sustentar. Para mim, uma decepção. Para muitos, uma porta-voz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário