sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

SABOTADOR - O SABOR DO TRAIDOR

Boninho, Diretor da Atração
Confesso que ainda não me simpatizei com a 11º edição do BBB. Para mim, não existe ainda a figura do “participante preferido”, sequer do “participante interessante”. No máximo, existem leves promessas que, aos poucos, vão se deteriorando na própria falta de atitude.

Parece que o diretor Boninho já esperava por isso. Claro, depois de trezentos realities do gênero, seria natural que alguns participantes (ou todos), entrassem no jogo “na defensiva”. Há quem queira aparecer mais, para se agarrar à condição de protagonista. E há quem queira não aparecer tanto, para não se expor, pelo menos, a esta altura do jogo.

Para conter essa chatice, o sádico diretor da atração sempre inova com situações esclarecedoras (ou quase esclarecedoras), que exigem o poder de decisão do participante. E, na maioria das vezes, é através do poder de decisão que o participante se despe do personagem e coloca sua digital no jogo. Nesta edição, a novidade é a figura do sabotador que, simplesmente, precisa prejudicar um grupo por 10 mil pratas. Genial ideia, por sinal: coloca dinheiro na jogada pra você ver o show de espontaneidade.

Em uma semana de programa, parece que nada de importante havia acontecido. Sei que, para alguns telespectadores, é interessante saber quem vai ficar com quem, ou quem é gay, quem é hétero, quem é bi, tri ou tetra. Mas isso não torna o jogo interessante. Pelo contrário.

Sabe-se que tem muita gente que crê na possibilidade de se fortalecer ao se relacionar com alguém (principalmente alguém que foi supostamente injustiçado, né?). Há também os pseudo-esclarecidos, que vivem colocando banca de liberais, de não-homofóbicos, ou coisas do gênero, apenas para “passar uma imagem bacana” aqui fora. Portanto, não ligo pra esses detalhes, que só tendem a mascarar ainda mais o jogo.

Eu gosto de ver atitude. Poder de decisão. Gosto de analisar as escolhas. Por exemplo, o primeiro sabotador, Rodrigão, que é tão querido pelas menininhas, matou dois coelhos com uma pedrada só. Sabotou o já necessitado grupo na Prova de Comida, sem que ninguém percebesse, e ainda teve a incumbência de indicar alguém ao paredão (via Big Fone). Como ele não fala mais que seis palavras a cada duas horas, ninguém desconfia dele e, para os demais participantes, ele é apenas “tímido”. Ou seja, prejudicou um grupo em troca de grana e deve estar até agora rindo (por dentro) de tudo isso.

Já o segundo sabotador... Figurinha carimbada. O cara que sente necessidade em aparecer, o cara que sente necessidade em parecer legal, o Sérgio Mallandro do BBB11: Diogo. Com a saída de Ariadna, seguida da bombástica revelação, o baiano praticamente dissertou sobre o quanto ele é esclarecido. Dizia que ela se identificava com a alegria de viver dele e, pra variar, fez uma ode a si mesmo. Você sabe, só faltou tirar a camisa e passar manteiga no corpo. Foi como se ele houvesse resgatado Ariadna de um incêndio.

Naquela cabecinha doentia, ele é a pessoa mais importante e mais querida do BBB. Mas precisávamos ver como ele se sairia diante de uma decisão importante (do tipo “prejudicar ou não prejudicar o grupo”).

Assim, ele foi eleito o sabotador. Sua missão seria trancar uma das despensas da casa, em troca de 10 mil pratas. Ah, mas ele é gente boa, né? Não cairia nessa armadilha pra ferrar os outros... O escambau! Sem pensar duas vezes, decidiu trancar a despensa do Lado B. Isso mesmo, do grupo mais necessitado da casa. Dane-se, Diogo é do Lado A, e não prejudicaria a si mesmo de jeito nenhum.

Acontece que o cara, por ser tão covarde, não conseguiu tecer uma estratégia sólida. Sim, mas não desistiu do plano (afinal de contas, 10 mil pratas estavam em jogo). Num momento de descuido, o sabotador entrou em ação e trancou o cadeado da despensa. Mas o diabinho que soprava no ouvido dele não havia se contentado, e fez com que o baiano tivesse uma ideia digna de um calhorda da pior espécie: forjar suspeitos.

Cristiano teve o papel de bucha da vez e foi convidado por Diogo a subir até o Lado B, no intuito de zoar com quem estava dormindo (Maurício Bocão).  Não demorou muito para que Maurício descobrisse. Porém, antes, foi a vez do próprio Cristiano perceber que Diogo carregava uma chave. O circo estava armado.

O pior é que, do lado de fora, há quem tenha gostado das peripécias do boçal. Há quem sinta pena. Como há quem sinta pena do ladrão que entra pra roubar uma casa e fica preso na chaminé. Enfim, há quem torça para esse cara se dar bem. Oremos...

Mas, enfim... Entre deboches e mentiras deslavadas, Diogo sugeriu nomes (isso mesmo, apontou o fuzil para outros participantes), e seguiu negando até o fim, mesmo sendo questionado abertamente por Cristiano. E mais, mesmo sendo interrogado por Natalia CSI que, após seu fiasco em imunizar o sabotador da primeira semana, decidiu honrar sua profissão e fez da casa do BBB seu palco. Só que aquilo ali não é Flórida.

Depois do interrogatório que não deu em nada, a despensa seguiu trancada, e Diogo Rebolation fez uma das piores interpretações da história da TV Globo, esmurrando almofadas e dizendo: “Logo você, que é tão malandro, dar um vacilo desses? São 10 mil contos!” (ou algo assim).  Porém, para sua alegria e vibração solitária, foi anunciado que o sabotador cumpriu sua primeira tarefa.

Só que a primeira tarefa do sabotador foi o Rodrigão que fez. Diogo trancou a despensa, mas foi descoberto e, portanto, não vai ganhar os 10 mil reais (Hahahahahahah).

Depois do anúncio, ninguém quis se comprometer nem mais nem menos, e tudo permaneceu na mesma. Nem mesmo depois da confissão, durante a 1ª prova de resistência do programa. Parece que a galera, prejudicada ou não, levou tudo "numa boa".


Resta-nos esperar pelos próximos capítulos, pela próxima formação de paredão e, na pior das hipóteses, por um novo programa, com participantes mais convincentes. É dose, viu?

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